"Ich bin ein Berliner", discursava gloriosamente John F. Kennedy, no dia 26 de Junho de 1963, em frente ao Muro de Berlim. Um reforço de moral, feito através de uma citação marcante.
Anos mais tarde o Muro de Berlim estava a ser demolido, marcando o final da separação de dois mundos totalmente diferentes.
Do lado de cá havia a música: punk experimental, uma explosão de sons e de novos instrumentos, inúmeras bandas e novas percepções de arte. Do lado de lá comunismo e pobreza. Dois mundos totalmente diferentes, duas mentalidades totalmente diferentes.
A verdade é que tudo isto nos chegava a casa através dos media. A mensagem que nos era transmitida era que o lado de lá era perigoso, e que o comunismo era o "diabo", um bicho-de-sete-cabeças pronto a devorar-nos.
McLuhan falava dos media como uma extensão do ser humano a nível de sensações. Pois, o exemplo nítido foi a Guerra Fria, tendo como grande cabeçalho o Muro de Berlim.
Um filme particular retrata-nos a mentalidade de Berlim nos anos 80, e de como a vida era difícil. Havia um medo, medo o qual era explorado pelos jornais e restantes membros da comunicação social. Uma forma simples e eficaz de os habitantes de Berlim Ocidental não terem curiosidade em saber no que consistia o comunismo, recebendo no lugar da verdade, uma sensação de que era o "diabo". Mas esta ideia não era só em Berlim, mas sim no mundo inteiro. A aldeia global mostrava-nos sensações de que o comunismo era maligno e que devia ser erradicado (situação levada ao extremo nos USA, onde várias pessoas foram presas, suspeitas de pertencerem ao partido comunista).
McLuhan estava errado em alguns aspectos, sendo actualmente considerado um pouco ingénuo por alguns autores. Mas em algo estava certo; os media têm um poderoso efeito nas sensações humanas, quer este seja utilizado para bem, ou para mal.
"Mr. Gorbachev tear down this wall!", proferia o Presidente Ronald Reagan em 1987, desafiando o Secretário-Geral do Partido Comunista a destruir o infame muro.
E assim foi feito, em 1989, após 28 anos de existência do infame "Berliner Mauer".
Berlim actualmente ainda sofre deste poderoso efeito. Os Berlinenses, após 21 anos da queda, temem ainda conhecer, e envolver-se em relações (comerciais, amorosas, etc.) com pessoas que habitem o antigo Lado Oriental da cidade de Berlim. Parece estranho, mas o efeito psicológico e emocional que a Guerra Fria teve foi demasiado intenso, efeito o qual foi explorado pelos media e instigado. Hoje o Ocidente de Berlim ainda teme o comunismo (apesar de se considerar extinto), ele ainda é aquele "diabo".
McLuhan tinha razão: os media são extensões do ser humano.
"Berlin is a city of halber mensch"
( Berlim é uma cidade de meios homens)
sábado, 5 de junho de 2010
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